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  • .agenda do fim dos tempos drásticos, por

    Viviane Sá e Kelly Yamashita
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  • Março 18, 2013

    Walzer

    Há 3 meses
     
  • O título do trabalho assim como a fotografia que motivou a reencenação é parte do espetáculo Walzer (1982) da coreógrafa Pina Baush. Após uma de suas passagens pelo Brasil, a coreógrafa aproximou-se da música brasileira com certo entusiasmo. Depois dssa viagem, Pina criou o espetáculo Walzer: uma montagem que tinha como trilha uma série de composições de Valsas brasileiras.

    Para minha montagem (minhas Valsas) incorporei o trabalho de Pina fundamentalmente pela sua sutileza em apresentar os conflitos e dilemas da vida cotidiana num palco de dança. Seus espetáculos são misto de dança e teatro que retratam a alma humana e de alguma forma as fotografias tornariam isso possível ao reproduzir uma cena “colando-a” a um cenário também pré-existente e ao meu próprio corpo (o corpo do artista).

    Uma das grandes discussões de hoje se pauta nos fundamentos daquilo que seria essencialmente Arte e da própria performance. Walzer fundamenta-se exatamente nesse limiar, estendendo a discussão um pouco mais adiante: uma reencenação perderia significado ao ser extraída do seu contexto original?

    A resposta ganha em Walzer novas possibilidades, pois o seu contexto não é exatamente o dia atual: o cenário para as fotos são colagens de outras fotos, de outros contextos.

    A explicação para sua construção parece confusa, mas é justamente essa confusão que motiva o trabalho. As “fotos cenários” são manipulações de fotografias conhecidas de Henri Cartier Bresson, Alan Teger, Misha Gordin, Thomaz Farkas e homenageando a coreógrafa, uma foto em cena de outro espetáculo com a própria Pina Bausch. 

    A brincadeira com a colagem começa na escolha da cena que será reproduzida: na parte final do espetáculo Walzer1 uma bailarina é “fixada” à parede por meio de fitas e pregos. Existe aí uma interação com corpo e espaço encantadora. E esse é o que determino como o primeiro recorte.

    O cenário para a minha Walzer são quatro paisagens; quatro fotografias que serão projetadas sobre o corpo do recorte anterior. Esse é o segundo recorte e completa o anterior na medida em que se configura como o espaço para a composição.

    Por último está meu próprio corpo como retirado de seu contexto usual, seu cotidiano. Esse é o terceiro recorte que completa os anteriores; é o que determina o momento atual e rediscute a reencenação na medida em que transfere outras obras para dentro de outra, perdendo, portanto, seu antigo significado.

    Em minha releitura está a impossibilidade de manutenção da integridade da obra anterior, mas instiga, sem grandes pretensões, que uma reencenção poderia ganhar novas interpretações ao ser retirada do seu contexto original.

    A sonoridade e a montagem final em vídeo reforçam essa intenção: a de que uma interferência mínima pode criar novas interpretações.

    Criar interferência = Provocar o espectador. 

    Há 3 meses
     
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  • Janeiro 16, 2013

    Leiaute

    A arquitetura não precisa ser concebida como uma espécie de texto para ser “lido”, pelo contrário, posso torná-la menos comunicativa, confundindo signos ao limite de não se poder mais diferenciar a composição básica de uma obra. É uma espécie de arquitetura confusa onde os materiais e formas são improváveis, análoga a uma pintura que deixa de ser figurativa para tornar-se abstrata. Em termos piercianos é a possibilidade de percepção sem referência ao objeto, e isso é possível graças à capacidade de auto-representatividade do signo.


    Os fragmentos da arquitetura (pedaços de parede, de salas, de ruas, de ideias) são tudo o que realmente vemos. Esses fragmentos são como inícios sem fim. Há sempre uma cisão entre fragmentos reais e fragmentos virtuais, entre memória e fantasia. Essas cisões não têm nenhuma outra razão de ser senão a de passagem de um fragmento para outro. São mais dispositivos de transmissão do que sinais. São rastros, coisas intermediárias. (NESBITT, Kate(org.). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965 – 1995). São Paulo, Cosac Naify, 2006, p. 583).

     

    O lugar sugere que essa escritura seja uma espécie de labirinto, não havendo, portanto, início nem fim, mas um constante movimento de transformações. Aqueles fragmentos dispostos nas imagens são escrituras caóticas, desprovidas de função, início ou final. São labirintos por onde se move a mente e é através desse movimento que são produzidos espaços, é a intromissão nos espaços arquitetônicos. Esses novos lugares transformam-se em cenários esvaziados de questões morais ou funcionais, mas são, entretanto, inseparáveis do contexto no qual se inseriu.

    A forma como apreendemos uma obra de arquitetura está ligada a um olhar monocular e antropocêntrico vinculado à questão da invenção da perspectiva desde o século XVI. Essa maneira de ver a arquitetura sofreu poucas transformações, mesmo com o surgimento da tecnologia. O que a perspectiva faz é direcionar o olhar e prendê-lo a uma maneira de enxergar limitada e racionalizada, pois dessa forma, apreendemos o espaço por inteiro a um só golpe de olhar. O conceito da perspectiva surgiu num momento de transformação de um mundo teocêntrico para um mundo antropocêntrico.

    As novas tecnologias, entretanto, provocaram uma transformação especialmente no que se refere à presença real das pessoas, o que torna esse conceito algo obsoleto, exigindo, assim, uma transformação na própria relação do sujeito com o espaço que visualiza. A hipótese é a de que seja possível voltar a olhar em volta, apreender o espaço de uma forma que ele não se esgote de uma só vez.

    As imagens a seguir foram extraídas de ambientes tradicionais de nossas casas. São quartos ou salas comuns que desafiam tanto o olhar quanto a mente pela resposta ao que de fato é realidade.  SÁ, V.A.

    Trabalho apresentado na disciplina Modos Contemporâneos de apresentação de Imagens Poéticas. Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Docente responsável: Branca Coutinho de Oliveira 

    Viviane Sá é arquiteta e urbanista pela Universidade de São Paulo e aluna no Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Pesquisadora na área de Poéticas Visuais – Multimeios investiga sobre a materialidade da arquitetura frente ao contexto atual, especialmente focada na relação entre corpo + espaço/tempo + tecnologia. 




     

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